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quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

Casa nova!!

Queridos,

Depois de seis anos de Delírios, decidi andar com as minhas próprias pernas (ou melhor, com meu próprio nome). Agora, posto em duas novas páginas, no tumblr e no facebook, e será um prazer ter a sua companhia por lá também.

É só clicar e curtir. Vejo vocês lá ;)


Beijos


Fernanda Gaona  

quarta-feira, 30 de outubro de 2013

Daqui a pouco e sempre...



Daqui a pouco é dezembro. Daqui a pouco serão 30. Daqui a pouco eu digo o que mudou com a passagem de dezena. 

Daqui a pouco número nenhum vai fazer, de fato, diferença... 

A verdade é que tudo segue igual e, embora muitas transformações tenham acontecido até aqui, no fundo, somos os mesmos aos dez, aos vintes, sempre... talvez a gente fique um pouco mais esperto, quem sabe menos previsível, com toda certeza craque em recomeçar.

A tal da experiência, no final das contas, serve mesmo é pra lapidar. Porque essência, aquilo que dá sentido aos nossos passos, essa não muda. É como se a gente fosse trocando de casa, mas levando todos os móveis. Carregando nossas tralhas internas.

Tralhas essenciais pra chegar a essa conclusão, inclusive. E parar de se apegar a um número, a uma dezena ou a qualquer outra coisa que dê vontade de retroceder. Nostalgia é bom por alguns segundos, mas ela só serve mesmo pra nos ajudar a entender e gostar ainda mais do que nos tornamos hoje...


Fernanda Gaona

Imagem: Henri Cartier-Bresson

quinta-feira, 3 de outubro de 2013

Quero erros novos


Me recuso a repetir a mesma falha. Sei que pode acontecer, que estamos sujeitos a reiterar nossas ações, mas continuar errando sempre no mesmo ponto, pra mim, é ignorar o que eu já vivi.

Se tem uma coisa que faz cada vacilo valer a pena é o aprendizado. Não, você não aprende na teoria. Pode sentar alguém ao seu lado com uma tese sobre o porquê aquilo é assim, mas será inútil - é preciso viver.

Até acredito que existam seres superiores que se contentem com as experiências que escutam, mas não é a maioria. A maioria tem que ralar os joelhinhos mesmo. Sair capengando do tombo e aprender na marra a se equilibrar novamente.

Depois disso, é tombo novo. Erro novo. Engano novo. Se apegar aos antigos costumes, se negar a enfrentar rumos diferentes, não fará você colocar em prática suas descobertas, muito pelo contrário, deixará você preso em velhos e cômodos hábitos.

E velhos erros não fazem caminhos novos. 


Fernanda Gaona
  

Imagem: Doisneau

quinta-feira, 19 de setembro de 2013


Você pode morar sozinho. 
Com alguém. 
Com muitos.

Longe. 
Triste. 
Realizado.

Seu corpo pode ocupar qualquer parte da terra.
Pisar em qualquer cidade.
Bairro.
Casa.

Sempre haverá um porto. Um lugar que não precisa ser fixo, mas que, contrariando a lógica, é onde está o nosso alicerce.

Raízes tão profundas que são as responsáveis por nos manter perto, mesmo quando estamos longe. Sentimentos maiores que nos prendem e, exatamente por isso, nos dão total liberdade para seguir.

Nada é tão prazeroso quanto voltar a lugares de onde nunca saímos.

Fernanda Gaona

Ilustração: Ana Ventura

quinta-feira, 22 de agosto de 2013

Eu não acho normal


Sou uma jornalista torta. Pode parecer um pouco estranho afirmar isso, mas a verdade é que meu alicerce está nas coisas leves. Tenho dificuldade em não absorver uma notícia. Não consigo fechar os olhos para as atrocidades - com certeza nenhum jornalista consegue -, mas ainda existem aqueles que estão, de alguma forma, acima de tudo isso e conseguem por um instante se dividir. Eu não.

O massacre na Síria me calou hoje. Perdi a vontade de continuar lendo os jornais, de ir mais a fundo na notícia. Por um momento agradeci não precisar mergulhar no fato, embora ele não vá sair de mim tão cedo. Por um instante fiquei feliz em exercer a profissão em um cargo que não exige isso de mim. E por um momento admirei ainda mais os colegas de profissão que conseguem encarar de frente, deixando um pouco de lado suas percepções para simplesmente apurar e noticiar.

Meu texto não é para apontar culpados, muito menos para fazer análises políticas, até porque é um assunto complexo demais para ser debatido em poucos caracteres. Escrevo só pra desabafar: não, eu não acho normal.

Não consigo abrir o jornal, dar de cara com imagens chocantes e seguir o meu dia como se nada tivesse acontecido. Muitos vão dizer: "não foi a primeira vez", "talvez não tenha sido o pior atentado da história", não me importa, vou me impressionar sempre. Não acho normal a frieza da humanidade. Não estou generalizando, mas o cotidiano tem nos tornado cada vez mais omissos. O absurdo virou rotina. As barbaridades são tantas que já não chocam mais.

Não sou psicóloga para analisar o ser humano, nem cientista política para fazer longas explanações sobre o assunto. Mas hoje, por um instante, emudeci. E foi esse silêncio que me impulsionou a falar: não quero me acostumar. Normal é não achar normal. É se entristecer mesmo com aquilo que não podemos alterar, até para poder, quem sabe, mudar as pequenas injustiças do cotidiano que estão ao nosso alcance. Normal é frustrar-se para quem sabe enxergar o quanto somos pequenos, embora nossas pequenas atitudes possam sim provocar grandes mudanças.


Normal é sentir. E hoje, eu sinto muito!


Fernanda Gaona

quarta-feira, 21 de agosto de 2013

Me concede a honra da sua @ no instagram?





Não esqueça de compartilhar com a hashtag do post. As fotos e os textos são de minha autoria. 

Vejo você lá!

@deliriosesuspiros


O canto do quarto abrigava a velha estante. Nela, obras de consagrados autores repousavam tranquilamente esperando uma mãozinha. Estendia a minha, impulsionada por cores, formas, largura. Não conhecia todos aqueles nomes, mas alguns soavam tão bem. 

Vinícius. Como sabia falar de amor. Falava tocando. Eu o peguei, mas foi ele que me alcançou. Se poesia era isso, se reconhecer em algo escrito, também queria ser linha. Deixar o cotidiano rabiscar em mim.

Depois veio Leminski. Irônico. Preciso. Sucinto. Só sinto. Se poesia era isso, se era risco. Também desejava arriscar um novo jeito de escrever. De desafiar. Inventar meu jeito de transparecer. De ser. De me expor.

Escrevo porque abrigo coisas demais em mim. E a gente cresce, mas nosso espaço continua sempre curto. E a gente aquieta, mas nosso sossego quase sempre é breve.

Fernanda Gaona

Imagem: Doisneau

Os cílios alcançaram a parte debaixo dos olhos. Foram décimos de segundos. Aquele espaço de tempo que passa despercebido quando a gente pisca.

Pisquei.

Pisquei e já havia passado duas décadas. Tempo o suficiente pra passar do chão do quarto, onde me encontrava rodeada de diários, pro sofá-cama da minha sala - parcelado em suaves prestações.

Às vezes achava o filme exibido nesse período um tédio. Em outras aplaudia de pé todas as cenas.

Mereço Cannes.

Sim, mereço. Mereço porque vinte anos é pouco pra fazer tudo que se quer. Mereço roteiro adaptado - de certa forma faço jus àquilo que planejei. Sou coerente com as minhas vontades. E ainda sonho.

Sonho, porque se duas décadas não foi tempo o bastante pra ver se materializar todas as minhas ambições, foi tempo suficiente pra descobrir que planos não são estáticos. Pra aceitar que eles se movem com a mesma velocidade dos meus pés.

E como ando. Ando porque preciso pagar a prestação do sofá. Pagar pelos planos que abandonei. Preciso acertar as contas com os meus erros. Ainda preciso pagar alguns patos.

Continuar pagando pra ver.

Fernanda Gaona

Imagem: Pinterest


terça-feira, 23 de julho de 2013

Espere...

Você quer um amor. Uma paixão daquelas de tirar o fôlego e, ao mesmo tempo, acalmar o coração. Mas ela simplesmente não vem. Não aparece nem quando você está distraído, quem dirá quando está procurando. O amor não te acha, mesmo você segurando uma plaquinha "estou pronto", mesmo você gritando aos sete ventos que a sua hora chegou. 

Como seria bom se a gente pudesse escolher o momento. Apontar a pessoa e pronto: pode vir buscar seu amor novinho em folha, embrulhado pra presente. Será que realmente seria melhor? Se você está na turma "da plaquinha”, com certeza deve estar balançando a cabeça pra cima e pra baixo, freneticamente, nesse momento. Agora, se você já passou pro outro grupo, com certeza deve ter a mesma coisa que eu em mente: espere. 

Claro que se divertir é legal, longe de mim ser hipócrita com relação a isso. Mas por que "vestir" alguém que passou correndo pela sua vida com uma fantasia sua. Não insista, não vai caber. Quando o "seu número" chega, ele se encaixa sem esforço. Não vem ocupar nenhum espaço vago, vem inaugurar outros que você nem imaginava que existiam.

Não corra o risco de criar um amor pra satisfazer uma carência momentânea. Aquele ditadinho que "na falta da metade da laranja me contento com os limões" só vai azedar, ainda mais, a espera. Que o Cazuza me perdoe, mas amor inventado só funciona em música. Vida real pede coisas palpáveis. E, por mais inconstante que o ser humano possa ser, o amor só tem graça quando vem de graça. Quando acontece por livre e espontânea vontade.

Fernanda Gaona

Imagem: Johnny Robles


Ps1. Inspirado "na espera" de uma amiga
Ps2. Texto escrito ao som de Hey Jude

terça-feira, 25 de junho de 2013

num estalo


é infinitamente mais vagaroso do que aquele movimento de fricção dos dedos, mas às vezes parece mesmo que o tempo passa na velocidade de um estalo.

é começo de ano e quando vê já era natal. o despertador tocou, mas quando percebe anoiteceu.

assim seguem os dias: algumas vezes arrastados, na maior parte das vezes ninguém sente passar.

se o tempo é ágil ou se nós somos dispersos, não dá pra saber. mas se soubermos aproveitar esses minutos de lucidez que acontecem antes dos dedos se encostarem, os intervalos entre um estalo e outro terão valido a pena.

Fernanda Gaona


Ilustração: Yo Missmita 

quinta-feira, 13 de junho de 2013

“O que você quer ser?”






Esperou ansiosamente a hora de crescer. Ouvia dos outros: “o que você quer ser?”, e já tinha a resposta na ponta da língua. Só faltava mesmo a tal hora chegar. Aquele momento em que você tem o controle da sua vida em mãos e aperta o play pra dar início a tudo aquilo que planejou. Fez o check em cada sonho, recapitulou um por um. Sabia de cor e salteado. De cabo a rabo. Nada poderia dar errado.


Era da turma dos ansiosos. Aquela galerinha que torce para o tempo parar passar. Perguntavam sua idade e a resposta começava sempre com sua palavra favorita: “vou”.

- Vou fazer 15.
- Vou fazer 20.

Estava sempre indo um pouco antes da hora. 

Mas de nada adiantou a pressa. Os anos passaram e o filme não seguiu o roteiro já escrito. Veio então a primeira cena diferente, o segundo take adaptado.

- Quem mudou o meu cenário?
- Essa história não é a minha.
- É?!?

Quando viu já estava no meio do caminho. Era meio da tarde. Ela meio confusa. Nenhum pensamento inteiro. Justo ela que odiava metades. Que era maníaca por preencher seus vazios. Que tinha TOC com horas vagas. Não sabia o que fazer com a lacuna deixada pelos projetos que não se cumpriram. Não tinha a menor ideia do que fazer com uma história construída pela rotina, não por seus desejos.

Sentia que era preciso se desprender do irreal para ter paz no palpável. E entender de uma vez por todas que nem sempre as vontades sobrevivem naquele famoso filme chamado realidade.

E concluir, antes que terminem a pergunta novamente. 

“O que você quer...?” 

...Me basta ser!


Fernanda Gaona

Imagem: Doisneau